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  • Thaís Marques

SOBRE PALAVRAS E GESTOS

Costumava dizer por aí sobre a falta de paciência para conhecer pessoas novas, abrir espaço na minha vida. O fato é que essa geração tão saturada de mensagens rápidas com um só intuito não me atraiu, não mesmo. Não sei mais lidar com um 'oi, sumida!' com um sorrisinho de canto, a resposta é simples, já sei o resultado de toda essa história.

Sei que com a quantidade de aplicativos existentes por aí, as conversas se tornam cada vez mais curtas. Nada contra, já tive perfil em um deles e conheci pessoas incríveis (poucas, mas que fizeram valer a experiência).

A gente sente quando aquela mensagem no início da semana foi só pra aliviar o peso da culpa de decidir chamar na quinta-feira a noite, ou de madrugada, quando a carência bate e não se tem mais nada a fazer a não ser procurar alguém.


Passei um tempo da vida (para ser mais exata esses três últimos anos solteira), lidando com pessoas que na realidade não se importavam muito com o que eu pensava, quais os meus gostos, minhas opiniões. Pessoas que uma vez por mês queriam sair, conversar, sem se abrir, contando tudo por cima, assistiam um filme e até a próxima, daqui um mês talvez?


Por um período não me importei, sempre mantive as mesmas pessoas, as mesmas conversas, tudo tão repetitivo que me cansou. E em um determinado momento parei e pensei: no que isso acrescenta? Tudo tão superficial, conversas quinzenais, encontros com a mesma pessoa que não me faziam chegar em casa com um sorriso de canto a canto, mas pensativa, talvez, por estar dando espaço e 'gastando' meu tempo com quem simplesmente não acrescentava em nada.

Demorei pra cair na real, a decidir cortar de vez toda essa superficialidade. Até perceber que, quando é de verdade NÓS SENTIMOS. E não digo um sentir daqueles como alguém apaixonado, mas aos pouquinhos, nos gestos, ali no dia a dia.

Como disse no início, tinha um certo problema em abrir espaço na minha vida para outras pessoas, sabem aquele medo de errar mais uma vez? Pois é. E foi quando percebi que do mesmo modo que pessoas que não me acrescentaram em nada estiveram ali de alguma forma, eu deveria perceber quem estava ao meu redor de verdade, de todo coração.

Nós sentimos quando o 'bom dia!' por mais simples que seja, vem de quem deseja de verdade que seu dia seja tranquilo e repleto de coisas boas. Existem várias palavras para descrever, sintonia se encaixa bem, energia ainda melhor.


É questão da energia que você passa para o outro, do quanto você deseja o bem. É quando as palavras e gestos se tornam abrigo depois de um dia turbulento. ABRIGO: algo que oferece proteção contra os rigores do tempo, ou no caso, alguém.

Quando você tem alguém na sua vida, que sente que se importa com você, não existe mais espaço para o que é superficial. Nenhuma conversa é por pura obrigação, e sim por prazer, pela vontade de compartilhar. Esses dias vi um tweet que dizia que 'ter intimidade com alguém para falar sobre tudo é muito bom', e sim: REAL! Nada melhor do que ter a liberdade de poder ser você mesmo, contar suas alegrias, suas conquistas, suas inseguranças e ter alguém ali, não por um interesse em segundo plano, mas pela vontade de fazer parte, de ser um 'apoio' nas diversas vezes que precisamos.


Não digo da energia só ali frente a frente, sei da quantidade de pessoas que mantém relacionamentos a distância, e também a rotina que vez ou outra nos deixa sem tempo. Não existe distância, tempo, espera, que mude a sensação que a companhia de alguém com sintonia cause ali, pessoalmente. Clichê, eu sei, mas quando existe clareza nas palavras/gestos é fácil notar.


Já errei diversas vezes, com diversas pessoas, ninguém é perfeito, né? Mas a vida, os tombos, todas as idas e vindas, o destino e tudo mais que se possa acreditar me fizeram aprender a priorizar quem me faz bem. Posso ter alguns surtos, mudanças de humor, como qualquer ser humano, mas ali nos pensamentos, no coração, tive a certeza que agora só tem espaço na minha vida quem me aceita assim, com o meu melhor e pior, de verdade.


Se eu pudesse dar uma dica seria: demonstrem (palavras de quem aprendeu com isso recentemente, viu?). Ficar pensando no 'amanhã eu digo, amanhã eu faço' não é a melhor forma de lidar, abram os olhos. Percebam quem está presente não apenas com segundas intenções, o mundo já tem problemas demais pra se manter pessoas/coisas/situações desnecessárias.

As vezes é difícil, confuso, ver o que é real. E quando isso acontece, o melhor a fazer é entregar ao tempo, ter paciência, seguir o coração (sempre!) até porque, o que é verdadeiro, permanece.

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© 2019 por Thaís Marques

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